ENTREVISTA | Kayaya Junior

25 Setembro, 2017 . Por: Ontime

“Vivemos numa sociedade que exige muito de nós

Frederico Gonçalves Júnior é o nome deste homem que fez e faz acontecer. Aos 52 anos de idade, Kayaya Junior continua ser um “jovem” sonhador e transformador de mentes, ao mesmo tempo. “Pessoa muito simples, normal e que se dá bem com toda agente. Gosto de apoiar e dar oportunidades aos outros”

 On Time: A quem diga que é uma pessoa muito focada no trabalho, essencialmente na facturação. É isso verdade?

Todos nós precisamos de dinheiro para alguma coisa. As sociedades não seriam nada sem dinheiro. Agora, esta afirmação é um mito porque muitas das vezes as pessoas catalogam os outros sem sequer conhecer. Comigo, particularmente, já aconteceu, e várias vezes, ser considerado muito careiro sem contudo as pessoas falarem comigo. É importante as pessoas conhecerem primeiro antes de qualquer juízo. Quem me conhece sabe como e o que realmente sou.

 On Time: E quem o conhece sabe também que para si o tempo não passa. Qual a fórmula mágica?

É estar bem com os meus, com aquilo que faço. Ter prazer e gosto naquilo que se é. Há muita gente que vive com muitos problemas e frustrações, tudo porque querem ser muito mais do que aquilo que são. Sou aquela pessoa que faz, exactamente tudo, o que me apetece fazer. Como um pouco de tudo, pratico desporto, embora não de forma regular.

Temos que alimentar a alma, evitar ao máximo pessoas negativas. Sou do tipo que, quando entra para um determinado local e identifica pessoas negativas, foge. A família é o pilar de tudo e nada me dá maior prazer do que chegar à casa e ser recebido pela família.

 On Time: Como se sente, hoje, ao ver as pessoas que um dia deu oportunidade e hoje se tornaram referências?

Sinto-me muito bem e feliz. Não faço uso destas valias, do género: “ajudei esta pessoa e ela deveria compensar-me”. Fico bastante feliz por olhar algumas pessoas que passaram pelas minhas mãos, beberam da minha experiência, e por qualquer motivo, fiquei com alguma coisa delas. Acho que a vida é isso, um dar e receber.

Não somos nada sem oportunidades. Ninguém faz nada sozinho e, se pudermos partilhar um pouco do que temos, e puder influenciar um núcleo pequeno, já estaremos a fazer muito em termos de universo. Uma máxima que uso muito para fazer perceber as pessoas que cruzam a minha vida é: Se tivermos de percorrer um quilómetro a pé, convém que façamo-lo bem, porque se percorrermos mal, a distância, o cansaço o percurso e o sacrifício serão os mesmos. Logo, é melhor nos esforçamos para fazer bem.

 On Time: E o que é fazer bem?

É fazer as coisas conforme elas têm de ser feitas, não as deixar pela metade. Vivemos numa sociedade que exige muito de nós, penalizamos- nos muito. Não tenho problemas nenhum em ser preterido, hoje, e preferido amanhã. As pessoas têm de estar preparadas para isso, pois, o que turva a evolução das sociedades são os complexos. Nunca estamos preparados para ser postos de parte.

On Time: Considera-se um líder?

Não sei (Risos)…

 On Time: Porquê?

O acto de nascermos, já nos dá alguns pergaminhos de liderança. A partir do momento que nascemos, estamos entregues a nós próprios. Temos de nos desenrascar, contornar pequenos obstáculos de uma forma geral, todos nós somos líderes, logo a nascença. Claro que temos de educar esta liderança para que seja algo para o melhor, nunca para o pior. Infelizmente temos maus exemplos de liderança.

 

On Time: Tem alguns exemplos de Liderança dentro e fora de Angola?

Tenho sim! Big Nelo é um grande líder, Dárdano Santos é uma revelação. Conheço há pouco tempo, mas é alguém que faz um excelente trabalho de liderança. Na nossa comunidade, bairro, seio familiar, todas às pessoas que estão a fazer Mover Angola são líderes.

On Time: Acredita na transformação das pessoas?

Acredito! Porque ninguém nasce bom ou mau. As circunstâncias contribuem para que nos desviemos para a esquerda ou para a direita. E acho que muitas vezes, a oportunidade de conversarmos com alguém, pode mudar o nosso destino ou percurso. Particularmente, valorizo determinados momentos “insignificantes”, pois pude parar e ouvir uma pessoa. Logo, acredito sim que as pessoas podem mudar.

 On Time: Então não acredita na frase “Pau que nasce torto não se endireita”?

É discutível! Com força de vontade, bons conselhos e com uma sociedade que também olhe para estes casos penso que é mesmo discutível.

“Continuo a fazer exactamente o mesmo que fazia há trinta ou quarenta anos atrás. A paz de espírito e estar bem com os outros, ajuda bastante”

 

On Time: O quê é que lhe diz um evento como a Move Angola?

Tudo! É importante, é pertinente. Abre caminhos para as pessoas. É um evento que parabenizo e incentivo a continuidade. Não está amarrado aos compromissos institucionais de perca de consciência.

On Time: É conhecido como um grande produtor, e já com provas dadas. Entretanto, imagino que existe um, que marcou a sua carreira. Qual foi?

Vou citar o evento que nos dá maior prazer: Moda Luanda, nosso filho. Todos os eventos são, para nós, um recomeço, um momento novo. O que acontece com os produtores é que mal terminam um evento, ficam logo a pensar no próximo. Cada um dele tem a sua particularidade. Não existem eventos iguais, cada um é especial.

 

On Time: Quais são as fases que obedecem os eventos que o Kayaya organiza?

A melhor fase de um evento é o Planeamento estratégico do mesmo. Preparação, pré-produção, criar os canais, cinergias, os parceiros. Viabilizar o projecto. A mim, o antes é o mais desafiante.

 

On Time: Dentro da carteira de eventos do Kayaya, qual deles ficou por realizar?

Um dos grandes exemplos que me daria muito gozo em fazer, seria uma Expo África ou Expo Palops. Juntamente com os outros grandes produtores nacionais e estrangeiros e durante três meses estarmos reunidos a expor o nosso potencial e, logicamente, Angola sairia a ganhar com isso. Se, institucionalmente, tivéssemos condições para tal, seria um evento de sucesso. 

On Time: É um homem de sonhos ou de memórias?

Sonhos e memórias.

On Time: Ainda há muito por realizar?

Costumo dizer que enquanto não se pagarem e não nos forem cobrados impostos para os sonhos, temos o direito de continuar a sonhar. De memórias porque dou muito valor ao que aconteceu antes, o que está acontecer hoje e ao que vai acontecer amanhã. O líderes começam a prever o futuro. O legado, se não for reconhecido, não sabemos o que nos espera, infelizmente é um dos grandes problemas da nossa sociedade.

On Time: O que a idade lhe diz?

Não me diz rigorosamente nada. Sou avô, pai e esposo dedicado. Continuo a fazer exactamente o mesmo que fazia há trinta ou quarenta anos atrás. A paz de espírito e estar bem com os outros, ajuda bastante.